domingo, 14 de outubro de 2012

Passatempo "Ibéria - Fernando Pessoa"


Tenho para vos propor um passatempo em que podem ganhar 2 exemplares de uma obra de um dos maiores vultos da literatura portuguesa. Nada mais, nada menos que Fernando Pessoa.

Ibéria - Introdução a um imperialismo futuro é mais uma prova de que Fernando Pessoa era uma pessoa muito além do seu tempo, não se limitando a pensar sobre o quotidiano, mas também sobre a assuntos menos prováveis.

Nas novidades deste mês do grupo BABEL pode encontrar-se esta obra sob a chancela da Ática. É portanto para o Conspiração das Letras um enorme prazer proporcionar-vos este passatempo em parceria com o grupo.

As participações são aceites até ao final do dia 21 de Outubro de 2012.

Para poder ser vencedor deste passatempo terá de ser seguidor activo do blogue Conspiração das Letras. Caso ainda não seja, poderá fazê-lo na caixa de "Seguidores da Conspiração" existente na Página Inicial.

As participações estão limitadas a uma por pessoa e, dadas questões relacionadas com o envio do prémio, só aceitamos participações de residentes em Portugal.

Sinopse:

Pessoa não foi alheio a praticamente nenhuma das grandes questões do seu tempo. Uma delas foi a "Questão ibérica", isto é, o futuro político dos dois países e das muitas regiões que constituem a península ibérica, quer através de uma união luso-espanhola, quer através de uma confederação de nações. Esta foi uma questão que ganhou novamente vigência na segunda metade da década de 1910 e na qual Pessoa quis intervir. Uma questão, aliás, afim ao projecto pessoano da «refundação mítica da existência», porque Pessoa queria que se formasse uma Ibéria una e múltipla em que Portugal, depois do aparecimento do Super-Camões (o próprio Pessoa), não perdesse protagonismo cultural. A questão ibérica é também uma questão identitária, e esta é uma questão que, quer no plano individual, quer no plano colectivo, está no centro da estética e da filosofia pessoanas. Mais do que político, o iberismo de Fernando Pessoa foi do tipo cultural e esteve intimamente ligado às ligado às suas preocupações com questões de identidade.


BOA SORTE!


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Resultados: Passatempo A Arca


Já podemos conhecer a vencedora do Passatempo A Arca.

Está de parabéns:

Ester Silva Almeida - Porto

Para além de publicados aqui, os resultados serão comunicados aos vencedores por email.

Caso algum dos vencedores não responda ao email de notificação no prazo de uma semana será seleccionado um outro vencedor.

Mais uma vez agradecemos o apoio da Civilização Editora na realização deste passatempo.


Obrigado ainda a todos os participantes.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Passatempo A Arca

Agosto significa férias, mas para o Conspiração das Letras significa também o regresso aos passatempos. Temos para vos oferecer, em parceria com a Civilização Editora, a mais recente obra da bestseller Victoria Hislop, intitulada A Arca. 

As participações são aceites até ao final de 30 de Agosto de 2012.

Para poder ser vencedor deste passatempo terá de ser seguidor activo do blogue Conspiração das Letras. Caso ainda não seja, poderá fazê-lo na caixa de "Seguidores da Conspiração" existente na Página Inicial.

As participações estão limitadas a uma por pessoa e, dadas questões relacionadas com o envio do prémio, só aceitamos participações de residentes em Portugal.

Sinopse:
Tessalonica, 1917. No dia em que Dimitri Komninos nasce, um incêndio devastador varre a próspera cidade grega, onde cristãos, judeus e muçulmanos vivem lado a lado. Cinco anos mais tarde, a casa de Katerina Sarafoglou na Ásia Menor é destruída pelo exército turco. No meio do caos, Katerina perde a mãe e embarca para um destino desconhecido na Grécia. Não tarda muito para que a sua vida se entrelace com a de Dimitri e com a história da própria cidade, enquanto guerras, medos e perseguições começam a dividir o seu povo. Tessalonica, 2007. Um jovem anglo-grego ouve a história de vida dos seus avós e, pela primeira vez, apercebe-se de que tem uma decisão a tomar. Durante muitas décadas, os seus avós foram os guardiões das memórias e dos tesouros das pessoas que foram forçadas a abandonar a cidade. Será que está na altura de ele assumir esse papel e fazer daquela cidade a sua casa?

Boa sorte!


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Cairo Novo – Naguib Mahfouz

Quando escolhemos uma obra para ler, um autor que já tenha vencido o Prémio Nobel da Literatura pode ser um bom presságio, mas não é condição suficiente para que nos identifiquemos com ele ou para que venhamos a gostar da sua obra.

Naguib Mahfouz por ter sido, até hoje, o único autor de língua árabe galardoado com este prémio, suscitava-me alguma curiosidade. Escolhi “O Cairo Novo” para me introduzir na sua escrita. A escolha não obedeceu a nenhum critério ou aconselhamento, foi feita completamente às escuras. Na verdade, nunca tinha lido nada sobre o autor ou sobre o seu trabalho, por isso estava longe de imaginar se teria êxito nesta escolha. 

Correu bem. Que agradável foi esta viagem ao Cairo dos anos 30. Uma sociedade onde as diferenças sociais são extremamente acentuadas, o que faz com que a classe média seja praticamente inexistente. O país vive uma época difícil marcado por revisões da constituição, no entanto começam a dar-se os primeiros passos de proximidade à cultura europeia. Exemplo disso mesmo é o facto de as mulheres passarem a ter acesso às universidades ou tão somente poderem ir ao cinema. Pequenos passos, mas que numa sociedade tipicamente conservadora atingem proporções muito significativas.

Neste Egipto é difícil para um jovem sem estudos, de família humilde, conseguir um bom emprego. Até mesmo um bacharelato pode ser insuficiente. O sonho é comum, conseguir a licenciatura e garantir um lugar como funcionário público, pois só assim se consegue atingir a estabilidade pretendida. Magoub Abdel Dayim encaixa-se perfeitamente neste perfil.  A custo do sacrifício dos pais, Magoub estuda numa universidade do Cairo. O pouco dinheiro que recebe vai dando para viver e pagar as despesas que tem com os estudos. Os problemas começam quando a apenas quatro meses de terminar a licenciatura, o pai de Magoub adoece e deixa de lhe poder enviar a quantidade de dinheiro habitual.

O dia-a-dia passa a ser difícil. Ter nascido numa família pobre é algo que nunca aceitou e por isso mesmo sente vergonha e repulsa. A consequência é um sentimento profundo de inferioridade perante todos, incluindo os amigos mais chegados: Mamoun Radwan, Ali Taha e Ahmed Bider. Na realidade trata-se de uma pessoa sem princípios morais, que apenas se interessa por si próprio. Assim, vive uma vida de aparências tentando mostrar aquilo que não é.

Apesar das dificuldades, Magoub acaba por conseguir a tão desejada licenciatura, porém os verdadeiros problemas ainda estavam por vir. Cedo se apercebe que apenas consegue arranjar emprego quem tem bons conhecimentos. Magoub não tem esses conhecimentos, resta-lhe apenas entrar num esquema, muito pouco convencional, para obter o seu emprego. É precisamente a partir daqui que me apaixonei por esta obra. Poderia contar do que consta este esquema sem desvendar o final do livro, mas penso que se perderia a magia da descoberta e vale mesmo a pena descobrir.

Recomendo vivamente a leitura deste Cairo Novo. Se, durante a leitura fecharmos os olhos por momentos, parece que somos transportados para uma obra de Fiódor Dostoiévski. A forma como Naguib Mahfouz nos transmite os sentimentos de ódio e repugnância de Magoub por quem o rodeia, incluindo pelos seus pais, faz lembrar um pouco de Raskólnikov.

Em alguns aspetos fez ainda lembrar-me um outro Nobel, Orhan Pamuk. A forma como uma escrita simples pode ser apaixonante é o denominador comum entre ambos.

Penso que não restam dúvidas, mas ainda assim para que fique registado: gostei e recomendo.

Págs. 232
Ref. ISBN: 978-972-26-3062-7
Editora: Civilização Editora

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Caderneta de cromos – Nuno Markl

Já há muitos anos que acompanho o trabalho de Nuno Markl. Sou seu fã desde “O homem que mordeu o cão”, que tantas vezes me acompanhou a caminho da faculdade. Um programa da Rádio Comercial que contava ainda com Ana Lamy e José Carlos Malato.

Passados alguns anos, eis que volta Nuno Markl a fazer-me companhia. Desta vez a caminho do trabalho. O novo programa chama-se “Caderneta de Cromos” e tem o dom de me fazer viajar ao volante do meu automóvel pelas memórias dos anos 80. Uma viagem “dentro” de outra viagem. Para além do próprio Nuno Markl, fazem ainda parte do programa Pedro Ribeiro, Vanda Miranda e Vasco Palmeirim. Quando ouvi o primeiro cromo, em poucos segundos fiquei fã da música de David Fonseca que dá início ao programa. Poucos minutos depois já era fã da caderneta e ao fim alguns dias já era comum chegar ao trabalho e ter os colegas a falar sobre o cromo do dia.

Para quem nunca ouviu na rádio, a Caderneta é um flashback aos anos 80. Desde músicas, filmes, comidas, objetos, tudo o que marcou esta década tem lugar na caderneta. Quem não se lembra das praias portuguesas terem uma bola de Nívea que servia de ponto de encontro? Quem não trauteou o Chico Fininho? Quem não viu o Rambo?

O livro é a transcrição destes programas e garanto-vos é impossível lê-lo sem ter um sorriso atrás da orelha. Cada cromo funciona quase como uma injeção de boa disposição. Por isso mesmo optei por ir lendo um cromo de vez em quando, à semelhança das originais cadernetas em que se iam obtendo os cromos a pouco e pouco.

Nuno Markl é um excelente contador de histórias e nesta temática joga em casa. Sente-se que conhece bem cada um dos cromos e fala deles com carinho e saudade. Este livro faz as delícias de todos os que se encontram entre os 30 e os 40 anos, mas mesmo quem não viveu nos anos oitenta facilmente se apaixona pelas suas histórias.

Vou apenas destacar um cromo, “Videoclubes”, pois acho um excelente exemplo do que o livro tem para oferecer. Assim, aconselho que caso passem numa livraria leiam este cromo. 
 
Págs. 221
Ref. ISBN: 978-989-672-044-5
Editora: Objectiva

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Resultados: Passatempo O Bairro


Há fases em que a nossa vida anda tão agitada, que acabamos por nem ter tempo para fazer-mos algumas das coisas que mais gostamos.
Esta reflexão não é uma desculpa, mas sim um pedido de desculpa pela demora na publicação destes resultados.

Vamos então conhecer o vencedor:

António José Alves - Aveiro

Parabéns!
Para além de publicados aqui, os resultados serão comunicados aos vencedores por email.

Caso algum dos vencedores não responda ao email de notificação no prazo de uma semana será seleccionado um outro vencedor.
Mais uma vez agradecemos o apoio da Oficina do Livro na realização deste passatempo.

Obrigado ainda a todos os participantes.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O projeto Atena - Brad Thor

Atena é nova divisão de tropas de elite, da Força Delta, com uma característica fora do normal. Todos os seus elementos são do sexo feminino. Segundo Brad Thor, este é o primeiro de vários livros em que o projecto Atena é protagonista.

A equipa Atena é constituída por quatro elementos: Alex Cooper, Megan Rhodes, Gretchen Casey e Julie Ericsson. Quatro personalidades bastante distintas, mas com um enorme espírito de equipa, fundamental para levar as missões a bom porto.

Neste romance a equipa é chamada a acção por causa da uma história antiga. No final da Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos desenvolveram a Operação Paperclip, que consistia em reunir o maior número possível de cientistas alemães que trabalharam para os nazis. O objectivo era simples, recolher e absorver os seus conhecimentos e técnicas. 
Um dos cientistas mais brilhantes do Terceiro Reich terá sido o general Hans Kammler. Engeltor, o seu projecto mais promissor. Tratava-se de uma espécie de fax gigante com capacidade de enviar pessoas e objectos para qualquer parte do mundo. Imagine-se uma máquina capaz de enviar uma bomba para o cerne do inimigo e, à sua chegada, a fazer detonar!
Documentos com informações cruciais encontram-se agora em mãos indesejadas e a sua utilização pode ser catastrófica. A primeira missão da equipa Atena será encontrar estes documentos e quem os possui.

Brad Thor possui uma linguagem simples e bastante acessível. O enredo é muito interessante e está de facto bem montado. Penso inclusive que poderia dar uma boa adaptação ao cinema. No entanto, apesar de todos estes pontos a favor, não poderei que fiquei rendido à obra. Este não é definitivamente o tipo de livros que me enche as medidas. O facto ser pouco descritivo faz com que o conhecimento das personagens seja muito superficial. O local da acção também muda constantemente dificultando ainda mais a orientação do leitor.

Em suma, o livro não desagradou nem surpreendeu. Reforço que achei a ideia muito boa. Ainda assim, deverá demorar algum tempo até ler outra vez algo do género.

Págs. 312
Ref. ISBN: 978-972-252-389-9
Editora: Bertrand Editora

terça-feira, 12 de junho de 2012

Passatempo O Bairro

O Bairro é o novo romance de Carlos Ademar! Para celebrar este lançamento, o sexto do autor, temos o enorme prazer de vos oferecer a possibilidade de ganar um exemplar, em parceria com a Oficina do Livro.

As participações são aceites até ao final de 21 de Junho de 2012.

Para poder ser vencedor deste passatempo terá de ser seguidor activo do blogue Conspiração das Letras. Caso ainda não seja, poderá fazê-lo na caixa de "Seguidores da Conspiração" existente na Página Inicial.

As participações estão limitadas a uma por pessoa e, dadas questões relacionadas com o envio do prémio, só aceitamos participações de residentes em Portugal.

Boa sorte!
Sobre o livro:
Manuel Sousa, agente da PSP, é assassinado num bairro às portas de Lisboa. A Polícia Judiciária está a começar a investigação quando é surpreendida pela notícia da morte de mais dois agentes. Quase ao mesmo tempo, um traficante de droga é deixado sem vida no Serviço de Urgência de um hospital. O que têm em comum estes factos? O bairro.
O país fala destes casos, os jornais e as televisões fazem eco das preocupações sociais, a hierarquia policial e a tutela política exigem respostas aos investigadores. O chefe Barata, a pouco tempo de se reformar, encara este caso como o seu derradeiro desafio.
O Bairro, baseado numa história verídica, é o retrato intenso de um mundo onde o crime e a honestidade convivem diariamente, onde prolifera o sentimento de abandono a que foi votado quem ali cresceu, para onde foi viver quem não tinha alternativa e onde é real a coragem de suportar o estigma de um nome. Mais do que um romance, O Bairro é a metáfora de tantos vulcões existentes em redor das grandes cidades contemporâneas, cuja eventual erupção todos temos o dever de evitar.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Memória de elefante - António Lobo Antunes

Tudo o que é bom deve ser saboreado. É esta a minha relação com a obra de António Lobo Antunes, algo que quero ir degustando a pouco e pouco.

Desta vez optei por ir onde tudo começou, ler o primeiro romance do autor. À partida pensei encontrar neste livro um estilo de escrita muito diferente do utilizado nos seus romances mais recentes. Apesar de uma outra nuance em que de facto se nota diferença, não encontrei nada de muito significativo. Na minha opinião, a capacidade de nos fazer sonhar em cada metáfora e de nos permitir viajar entre cada frase estava já bem patente neste livro.

Embora eu não seja um conhecedor profundo da biografia do autor, facilmente percebi, logo nas primeiras páginas, que as semelhanças com a realidade não eram meras coincidências.

Tudo se passa num dia da vida de um médico, um psiquiatra, que se mostra na primeira ou na terceira pessoa. Este psiquiatra vive desiludido com uma angústia que o perturba e restringe. Trabalha, às vezes sem paciência, no mesmo Hospital Miguel Bombarda em que o pai trabalhou e o seu irmão João. Satiriza o sistema de saúde sem se esquecer das meninas da segurança social ou dos delegados de propaganda médica, mas é de si que tem vergonha.

É divorciado e a separação da mulher, como qualquer separação, deixou marcas profundas. As filhas. Um homem afectado por ter participado na guerra em África (não esquecer que este livro foi escrito pouco depois do 25 de Abril), não só por ter ido para guerra, mas também por ter sido obrigado a deixar a mulher para trás, as suas filhas, o seu emprego, a sua vida.

O casino. A sua vida parece-se com um jogo em que se anseia um prémio. Uma caminhada pelas ruas da Lisboa de que fala com carinho, em busca de um refúgio ou de coragem para pegar no telefone e tentar remediar o passado. Mas assumir sentimentos perante os outros não é tarefa fácil. Todos estes pensamentos a borbulhar na cabeça de um homem durante um tão curto espaço de tempo, só mesmo para quem tem Memória de Elefante.

Para mim, a escrita de António Lobo Antunes é pura magia. Assim, não resisto a partilhar duas passagens para deixar um pouco de água na boca a quem tem receio de avançar para este autor:

"e vieram-lhe à memória longas noites na praia desfeita dos lençóis"
"a forma como o corpo dela se abriu em concha para o receber, vibrando tal as folhas do cume dos pinheiros agitados por um vento invisível e tranquilo"

Sublime, não é?
Superior é também a forma subtil e inteligente que o autor tem de nos fazer arrancar um sorriso dos lábios, ainda que a intenção fosse chocar. Que o diga o slogan da Funerária Martelo: Para Que Teima Vossa Excelência Em Viver Se Por Quinhentos Escudos Pode Ter Um Lindo Funeral?

Penso que este poderá ser um excelente livro para quem queira começar a entrar no mundo deste Mestre da literatura nacional contemporânea. 

Termino este pequeno texto com uma expressão muito utilizada por um ilustre são tomense que outrora tive o prazer de conhecer, e que tão bem traduz o que sinto pela obra de Lobo Antunes: Lindo, lindo, lindo.
Quanto mais a conheço, mais me sinto cativado por ela.

Págs. 156
Ref. ISBN: 978-972-202-708-3
Editora: Publicações Dom Quixote

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Vieram como andorinhas - William Maxwell

De vez em quando sabe-me bem chegar à estante de livros e escolher um livro do qual pouco ou nada sei. Apenas porque me apetece!
Vieram como andorinhas foi um desses casos. Já tinha ouvido falar de William Maxwell uma vez ou outra, mas nunca de nenhuma obra em concreto, nem tão pouco de qual o seu género literário.

Nesta obra, Maxwell revela-se um autor de afectos. No seio de uma família burguesa americana, no rescaldo da primeira guerra mundial, o autor transporta-nos para os para os problemas do dia a dia da família Morison, numa fase particularmente difícil em que os americanos se deparam com o flagelo da gripe espanhola que matou milhões de pessoas.

Dividido em três partes, Maxwell começa por colocar o leitor sob os olhos de Bunny, o filho mais novos dos Morison. Bunny é uma criança com oito anos que facilmente se deixa encantar por qualquer objecto desde que esteja na companhia da sua mãe. O amor que tem por ela é interminável e isso faz com que esteja sempre ávido de carinho e atenção.
O irmão mais velho de Bunny, Robert, é o narrador da segunda parte do livro. Robert é um jovem pré-adolescente, vítima de uma infância que lhe deixou marcas profundas pois sofreu um acidente em que ficou com uma perna amputada.
A terceira e última parte da obra é apresentada pelo pai, James Morison.

A mudança de perspectiva que os diversos narradores nos proporciona, faculta uma melhor percepção sobre os pontos de vista de cada uma delas. Aos olhos de Bunny, Robert aparece como um irmão mais velho intolerante, prepotente e com pouco tempo para brincar consigo. Quando passamos para o ponto de vista de Robert percebemos que afinal as coisas não são bem assim e somos levados a compreender os seus motivos e a sua personalidade. A simplicidade com que nos entrosamos com estas personagens sem que sejam feitas descrições exaustivas é talvez o ponto forte de Maxwell nesta obra.

A determinada altura, este livro permitiu-me também fazer uma pequena viagem ao passado quando o pequeno Bunny foi comprar 250gr de manteiga, que nessa altura se vendia avulso. Não que me lembre de ver a manteiga ser vendida assim, mas lembro-me perfeitamente do café, do grão de bico, do feijão frade, da marmelada, etc. Gosto quando os livros me permitem viajar sem sair do sofá e, de certa forma foi o que aconteceu. Terei feito companhia às andorinhas?

Págs. 128
Ref. ISBN: 978-972-0-07142-2
Editora: Sextante Editora