domingo, 1 de setembro de 2013

O velho e o mar - Ernest Hemingway

O velho e o mar começa por ser uma bela história de amor, compaixão e respeito entre um jovem e um velho. É algures em Cuba, numa terra de pescadores envolta em pobreza, que ambos vivem. Manolin é um jovem pescador que passa os seus dias a pescar e a cuidar do seu bom amigo, o velho Santiago.

Santiago é um pescador com provas dadas. O seu passado fala por si. Porém os últimos tempos não têm corrido de feição e há já quase três meses que não consegue pescar um único peixe.

Com o incentivo de Manolin, Santiago volta ao mar e vai bater-se durante quatro dias, em condições muito atrozes, com um enorme espadarte (cerca de 700 quilos). Só por si, pescar um peixe destes já é uma grande obra, mas se pensarmos que é um velho sozinho, num barco pouco maior que uma canoa, o cenário ainda se torna mais impensável. Ainda assim consegue capturá-lo mas como se afastou imenso da costa, o regresso é demorado. O sangue do espadarte atrai vários tubarões e o esforço de vários dias de luta dá em nada. Quando finalmente chega a terra apenas existe a carcaça e o que resta da cabeça do peixe.

A grande mensagem deste pequeno livro é que, por muitas adversidades que nos possam aparecer no caminho, nunca devemos desistir. Ernest Hemingway consegue escrever poesia em forma de prosa e singelamente fazer passar a sua mensagem. Embora não seja um exercício fácil, se eu tentasse arranjar um adjetivo para descrever a mensagem deste livro, penso que persistência espelha relativamente bem.

Outra mensagem implícita na obra é a nobreza de respeitar o animal que utilizamos para comer. Por várias vezes o pescador como que pede desculpa ao pescado, embora nunca haja sentimento de culpa pois sabe que irá honrar o fim a que se destina.

Depois de ter lido há algum tempo "O adeus às armas", o velho e o mar serviu essencialmente para recordar como se pode escrever com intensidade, descrever com precisão e imensa simplicidade. Gostei bastante de ler esta obra, por várias vezes senti-me no barco à deriva, com dores nas costas e as mãos em ferida. Tudo isto sem água... 

Págs. 108
Ref. ISBN: 978-989-711-003-0

5 comentários:

Vieira Calado disse...

Inesquecível esse conto!
Desejo-lhe um excelente fim de verão!
Saudações poéticas!

Marco Caetano disse...

Caro Vieira Calado,

É de fato um conto notável.
Agradeço a sua visita e as suas palavras.

Até breve.

Clarinda disse...

Olá
Passei por cá e desta vez deixo um comentário para que tome conhecimento.
Divulguei o seu blog no meu espaço, espero que aprecie!

http://lerviverler.blogspot.pt/2013/09/vida-noutro-blog-74.html

Continuação de boas leituras!

Marco Caetano disse...

Clarinda,

Obrigado pelo seu destaque.
Conto com a sua visita mais vezes.

M D Roque disse...

Li no Liceu. É um daqueles livros que nunca esquecem. Bom fim de Semana