Acho que nunca leria este livro por minha iniciativa, no entanto, duas mulheres muito importantes na minha vida já o tinham lido e conseguiram fazer o marketing suficiente para me convencer a ler.
Não posso considerar esta uma obra excepcional da literatura, mas também não era disso que eu estava à espera. Trata-se de um romance escrito de forma bastante interessante onde é narrada uma história sobre uma cultura completamente à parte da nossa.
Tudo se passa na China, em meados do séc. XIX. A jovem Orquídea é oriunda de uma família de classe média. Mas nesta China, isto não significa viver desafogadamente. Ser filha do governador de Wuhu não é suficiente para viver com luxo. Talvez, ter uma boa educação e um lar digno tenham sido os únicos luxos de que dispôs.
O livro começa com a morte do pai de Orquídea e o difícil caminho que ela teve de trilhar, juntamente com a sua família e a urna de seu pai, até Pequim para fazer o seu enterro. É em Pequim que Orquídea toma conhecimento que Hsien Feng, o imperador, se vai casar. Orquídea decide candidatar-se e consegue ser uma das seleccionadas, após um processo de bastante interessante. Vai então viver para a Cidade Proibida, um local diferente de tudo o resto. A Cidade Proibida era uma espaço dentro de Pequim mas onde apenas acedia quem o imperador queria. Era aqui que o imperador vivia rodeado de concubinas e eunucos. Concubinas eram mulheres criteriosamente seleccionadas para servir o imperador e os eunucos eram jovens empregados do imperador, que eram castrados para não se envolverem com as concubinas.
Nesta história gostei bastante do papel de An-te-hai, o eunuco escolhido por Orquídea para ser o seu eunuco principal, e que tanto a iria ajudar.
Orquídea é a única mulher que consegue dar um filho homem ao imperador. Antes disso uma outra concubina dera à luz uma menina, mas este foi um acontecimento que tinha pouca relevância nos padrões da altura para um imperador. Francamente pouco para quem dispunha de tantas mulheres. Mas Hsien Feng era de facto uma pessoa frágil e foi com pouca surpresa que acabou por morrer quando o seu filho Tung Chih tinha apenas seis anos. Assim chegou Orquídea Yehonala a imperatriz.
Tudo o resto são guerras pelo poder e uma bela história de amor. No final ficamos com o sabor de um belo romance histórico e um pouco mais de conhecimento sobre uma cultura, no mínimo, interessante. Gostava que tivesse sido um pouco mais explorada a História em alguns aspectos da Guerra do Ópio. Mas esse não é um argumento suficiente para não se ler este livro.
Apesar de não ter conseguido confirmar junto da editora, penso que esta obra já não está em catálogo. Se assim for, penso que merece uma reedição.










