sexta-feira, 21 de maio de 2010

A Ilha das Trevas - José Rodrigues dos Santos

Será “A Ilha das Trevas” um romance sobre a vida do timorense Paulino da Conceição? A sinopse quer fazer-nos crer que sim e que os acontecimentos desta história rodam em torno disso. Não concordo! Acho precisamente o contrário! O cerne desta história é a luta do povo timorense contra a invasão indonésia a luta pela independência.

Apesar desta análise, não me sinto minimamente defraudado por ter lido esta obra. De facto, se se partir para este livro à espera de encontrar um grande enredo, talvez no final paire alguma decepção no ar. Mas, reafirmo que não foi de todo o meu caso. Quando parto para um livro, espero sempre um pouco mais do que um bom enredo. Gosto de aprender algo com o que leio, seja história, seja uma experiência de vida, seja o que for! Foi a isso que os livros de José Rodrigues dos Santos me habituaram e é por isso que os continuo a ler.

Nesta obra, todo o processo que levou à independência deste povo é muito bem relatado. Desde o envolvimento português em todo o processo, à atribuição dos Prémios Nobel a Dom Ximenes Belo e José Ramos Horta, passando pelo massacre ocorrido no cemitério de Santa Cruz em Díli, podemos de uma forma muito fiel à realidade perceber o drama que viveu este povo.

Falta perceber onde é que há espaço para Paulino da Conceição neste relato histórico. Em boa verdade, apesar de não ser literalmente verdade, acho que a sua participação apenas têm relevância no primeiro e no último capitulo. Neste ultimo capitulo está mesmo reservado um espaço para uma revelação chocante, mas muito elucidativa do quão barbara foi a passagem dos indonésios pelas terras timorenses.

Em suma, não é o melhor de José Rodrigues dos Santos, mas há que ter em conta que foi a sua primeira incursão pelo romance. Por último, não faço favor nenhum em recomendar a sua leitura a todos os que quiserem de uma forma muito agradável e descomprometida saber mais sobre o renascimento de Timor.

Págs. 354
Ref. ISBN: 978-989-616-172-9
Editora: Gradiva

8 comentários:

tonsdeazul disse...

Engraçado... Para mim este foi o melhor livro que li de José Rodrigues dos Santos. ;)
Talvez por a sua história principal não ser realmente a vida de Paulino, mas sim a história do povo timorense, de que eu sabia tão pouco e ao terminar fiquei a saber um pouco mais.
Mais do que um romance, é um excelente relato sobre o massacre e o renascimento de um povo.

Marco Caetano disse...

É realmente um excelente documento histórico. Como disse, recokmendo vivamente a quem se interessar pelo tema. :)

Dulce disse...

Olá Marco,
Eu gosto especialmente de José Rodrigues dos Santos.
Li a Ilha do Sal estas férias e gostei, tal como diz aprende sempre qualquer coisa com o Zé. Mas recomendo (desculpe o abuso) a "Vida num sopro" dos 5 livros que já li do Zé foi o que eu mais adorei, e fiquei "desiludida" com a "formula de Deus", mas continuo a gostar imenso do Zé Rodrigues dos Santos.
Bjs
Dulce Barbosa

Marco Caetano disse...

Olá Dulce!

A Ilha do Sal não conheço :)
Também gosto muito dos livros de JRS. Agradeço a sua sugestão. É de facto um dos livrinhos que está lá em casa à espera de vez.. Tem uma enorme concorrência, mas a vez dele há-de chegar :)

Continuação de boas letras...

Bruno Franco disse...

Olá Marco! Vi o teu comentário no blogue Refúgio dos Livros e vim cá dar uma espreitadela ;)

Eu adoro JRS, mas prefiro os livros em que entram o Tomás Noronha, por serem policiais, claro.

No entanto, gosto de todos que ele escreve. Este não foi excepção :)

Abraço e continuação de bom trabalho!

Marco Caetano disse...

Olá Bruno,

Obrigado pela visita.

Também sou fã dos do J.R.S. Ainda assim, também prefiro a saga Tomás de Noronha.

Parece que estamos com sorte, Sábado é apresentada a próxima obra. A sinopse promete!

Terei muito gosto em tornar a ver-te por aqui.

Continuação de boas letras...

Patrícia disse...

Este foi o meu livro favorito do JRS. ÁPesar de já estar um bocadinho farta dos livros do escritor acho este um dos melhores exemplos de como um livro entretém e ensina (inclusive atraés do puro choque).
Boas leituras

Marco Caetano disse...

Olá Patricia,

Entreter e ensinar penso que é mesmo o ponto forte deste autor. Talvez seja mesmo isso o que mais me agrade nele.
Esta Ilha, talvez por ter sido o primeiro romance, ensina ainda mais.

Em breve terei de ler mais uma obra sua...

Continuação de boas letras...