domingo, 24 de julho de 2011

D. Amélia - Isabel Stilwell

"D. Amélia" de Isabel Stilwell foi a obra escolhida, este ano, para me acompanhar durante alguns dias de férias. Depois de uma obra densa, como se revelou Berlim Alexander-Platz, procurava uma leitura mais descontraída, mas provida de interesse. Desde que li 1808, de Laurentino Gomes, que não lia um romance histórico e vontade já não faltava!
Tive a oportunidade de visitar o Palácio de Belém, na companhia da autora, aquando do lançamento desta obra, tendo ficado bastante entusiasmado com a história. Assim, não foi difícil escolher a obra que queria ler dentro deste género.

D. Amélia foi a última Rainha de Portugal e constitui, sem dúvida, uma personagem encantadora. Isabel Stilwell traz até nós a história de uma pessoa com qualidades inegáveis, a quem a vida, apesar de ter tornado Rainha, não facilitou nada em muitos momentos.

Filha do Conde Paris, foi em Inglaterra que nasceu devido ao exílio a que pai esteve sujeito. Com seis anos regressou a França, altura em que começa este livro, e  lá viveu feliz a sua adolescência. Sendo a filha mais velha, desde cedo aprendeu o que é viver em monarquia e o dever de servir o povo.
"La grande", conforme era conhecida devido à sua estatura elevada, veio a casar com D. Carlos de Bragança, Duque da Beira e posteriormente El-Rei D. Carlos I de Portugal. Um casamento por amor como sempre sonhara. Os primeiros anos de casamento correram bastante bem. Engravidou por três vezes: Luís Filipe foi o primeiro filho a nascer, seguiu-se Maria Ana que faleceu à nascença e por último viria Manuel. Apesar de continuar a amar o marido, a sua relação foi arrefecendo dadas as inúmeras traições de amor de que foi vitima e também devido ao descontentamento sobre como o Rei regia o país.
O resto da história é sobejamente conhecido, falo do regicídio no Terreiro do Paço. Perdeu o marido e o filho mais velho de uma só vez, num fatídico dia do ano 1908. Seguiu-se a ascensão ao trono do Rei de D. Manuel II que mal teve tempo de aquecer o lugar, já em 5 de Outubro de 1910 se deu a implantação da República. O destino foi mais uma vez o exílio para Inglaterra onde acabaria por morrer, mas não sem antes ver morrer o outro filho.

Bem sei que este tipo de livros são romanceados, mas existência de vários documentos originais ao longo da obra, bem como o fiel encadeamento dos factos atribuem ao livro emoção, tornando-se por vezes viciante.
Gostei de passear entre o Palácio de Belém e o Palácio das Necessidades. Gostei das escapadinhas a Vila Viçosa, a Sintra ou a Cascais. Gostei da obra social desenvolvida pela Rainha. Enfim, gostei desta obra e por isso mesmo recomendo-a aos fãs do romance histórico. Por  isso mesmo posso dizer que irei certamente ler os outros dois romances da autora: Filipa de Lencastre e Catarina de Bragança. Há ainda quem afirme que já se encontra um outro na forja. Qual será a personagem??

Págs. 554
Ref. ISBN: 978-989-626-207-5
Editora: Esfera dos Livros

4 comentários:

Patrícia disse...

Tenho lá por casa este D. Amélia para ler. Gosto muito de romances históricos e sempre achei que com a história que Portugal tem não há razão para que haja tão poucos livros deste género - já vão aparecendo uns romances de época, mas acho sempre que lhes falta algo para poderem ser considerados romances históricos.
Boas leituras

Marco Caetano disse...

Patrícia é de facto um tema muito apetecível e que a pouco e pouco tem vindo a ganhar o seu espaço no mercado.
Ganhamos todos nós!

djamb disse...

As críticas a este livro têm sido muito positivas. Talvez leia em breve. Concordo com a Patrícia: temos muita História para contar, mas faltavam-nos bons contadores.

Marco Caetano disse...

djamb,

Temos de facto História para contar, mas não concordo que nos faltem contadores.
Hoje mesmo estive num workshop em que muito se falou sobre romance histórico e é relativamente consensual que há entre nós bons escritores deste género.
Fiquei, por exemplo, com vontade de ler "Padre António Vieira e a Cultura Portuguesa" de Miguel Real. Conhece?