segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Imperatriz Orquídea - Anchee Min

Acho que nunca leria este livro por minha iniciativa, no entanto, duas mulheres muito importantes na minha vida já o tinham lido e conseguiram fazer o marketing suficiente para me convencer a ler.

Não posso considerar esta uma obra excepcional da literatura, mas também não era disso que eu estava à espera. Trata-se de um romance escrito de forma bastante interessante onde é narrada uma história sobre uma cultura completamente à parte da nossa.

Tudo se passa na China, em meados do séc. XIX. A jovem Orquídea é oriunda de uma família de classe média. Mas nesta China, isto não significa viver desafogadamente.  Ser filha do governador de Wuhu não é suficiente para viver com luxo. Talvez, ter uma boa educação e um lar digno tenham sido os únicos luxos de que dispôs.

O livro começa com a morte do pai de Orquídea e o difícil caminho que ela teve de trilhar, juntamente com a sua família e a urna de seu pai, até Pequim para fazer o seu enterro. É em Pequim que Orquídea toma conhecimento que Hsien Feng, o imperador, se vai casar. Orquídea decide candidatar-se e consegue ser uma das seleccionadas, após um processo de bastante interessante. Vai então viver para a Cidade Proibida, um local diferente de tudo o resto. A Cidade Proibida era uma espaço dentro de Pequim mas onde apenas acedia quem o imperador queria.  Era aqui que o imperador vivia rodeado de concubinas e eunucos. Concubinas eram mulheres criteriosamente seleccionadas para servir o imperador e os eunucos eram jovens empregados do imperador, que eram castrados para não se envolverem com as concubinas.
Nesta história gostei bastante do papel de An-te-hai, o eunuco escolhido por Orquídea para ser o seu eunuco principal, e que tanto a iria ajudar.

Orquídea é a única mulher que consegue dar um filho homem ao imperador. Antes disso uma outra concubina dera à luz uma menina, mas este foi um acontecimento que tinha pouca relevância nos padrões da altura para um imperador. Francamente pouco para quem dispunha de tantas mulheres. Mas Hsien Feng era de facto uma pessoa frágil e foi com pouca surpresa que acabou por morrer quando o seu filho Tung Chih tinha apenas seis anos. Assim chegou Orquídea Yehonala a imperatriz.

Tudo o resto são guerras pelo poder e uma bela história de amor. No final ficamos com o sabor de um belo romance histórico e um pouco mais de conhecimento sobre uma cultura, no mínimo, interessante. Gostava que tivesse sido um pouco mais explorada a História em alguns aspectos da Guerra do Ópio. Mas esse não é um argumento suficiente para não se ler este livro.

Apesar de não ter conseguido confirmar junto da editora, penso que esta obra já não está em catálogo. Se assim for, penso que merece uma reedição.

Págs. 361
Ref. ISBN: 972-695-621-8

Editora: Teorema

13 comentários:

Luh disse...

Foi um dos livros que mais me marcou quando era mais nova, fico contente que tenha gostado!

Marco Caetano disse...

Sim, é muito interessante. Gostei essencialmente da cultura! Gostaria de voltar a este tema com outra abordagem. Alguma sugestão? :)

ni disse...

Agora temos de ler esta obra à terceira mulher da tua vida :) Ainda bem que gostaste! Mas tens razão, podia ser mais explorado.

Marco Caetano disse...

A Francisquinha vai adorar! :)

Angelina Violante disse...

Eu ando há que tempos atrás deste livro, e não o encontro em lado nenhum e agora que li a tua opinião ainda fiquei com mais curiosidade.

Já enviaste os livrinhos do passatempo do Governo Sombra?

Luh disse...

Li apenas outro livro acerca da cultura chinesa e não tem nada que ver com a corte imperial, mas é um livro maravilhoso! O livro em questão é " Terra Bendita" de Pearl S. Buck.
Penso que iria gostar!

macy disse...

Gostei bastante deste livro...
Há outros bastante bons, recomendo: Cisnes Selvagens de Jung Chang, O Pavilhão das Peóneas e Raparigas de Xangai de Lisa See e a trilogia de José Fréches A Imperatriz da Seda.

Marco Caetano disse...

Angelina,
Os livros são enviados pela editora.
Penso que deverão estar para sair durante a próxima semana.
Já participaste no passatempo desta semana?

Luh,
"Terra Bendita" foi recentemente reeditado pelo Clube do Autor e está certamente na minha wishlist.
Obrigado pela dica.

macy,
Obrigado também pelas dicas!
à partida, não conheço nenhum, mas vou investigar :)

Angelina Violante disse...

Ok.

Sim já participei no novo passatempo.

Também li a trilogia de José Fréches A Imperatriz da Seda e adorei, recomendo.

Ash disse...

Vi há uns meses um programa na TV sobre este tema. O livro parece interessante.

Marco Caetano disse...

Ash,

É de facto um tema interessante, tal como o livro!
Vale a pena ler!

tonsdeazul disse...

Parece ser uma obra bastante interessante! Faz algum tempo que não leio nada sobre a China e a sua cultura.
O último que li e que recomendo é "Cisnes Selvagens" de Jung Chang. Fala sobre três mulheres de três gerações; um livro muito bom para quem tem curiosidade em conhecer diferentes fases da China; desde a época dos senhores feudais, passando pela invasão japonesa e guerra civil e terminando na revolução cultural de de Mao Tsé-Tung.
Agora até saiu uma nova edição deste livro...

Marco Caetano disse...

Agradeço a dica!
"Cisnes selvagens" parece também ser um livro bastante interessante.
Tam´bém é certo que quero ler mais sobre esta cultura.
Obrigado