Ao iniciar a leitura deste romance não sabia nada acerca da forma de escrever de Oscar Wilde. Ainda assim tinha associado a este nome a ideia de um autor um tanto ou quanto filosófico mas ao mesmo tempo de uma literatura fluida.
Na vertente filosófica acho que não me enganei, o livro está repleto de reflexões e aforismos bem interessantes por sinal. No que diz respeito à fluidez da escrita, de facto acho que tinha uma ideia errada.
Após ler algumas páginas, dei por mim a fazer algo que até então nunca tinha feito: tomar apontamento de alguns desses aforismos que me chamaram a atenção. Eis alguns exemplos:
“Não existem livros morais ou imorais. Os livros são mal ou bem escritos. É tudo.”
“Sabe mais do que pensa que sabe, tal como sabe menos do que quer de saber.”
“A única diferença entre um capricho e uma paixão eterna é que o capricho dura mais tempo.”
“Os jovens querem ser fiéis e não são, os velhos querem ser infiéis e não podem.”
Mas foi Sol de pouca dura! O enredo começou a ser monótono, a enfastiar ao ponto de perto do fim se tornar quase leitura por obrigação de terminar o livro.
Tudo se passa em Londres, finais do século XIX. Basil Hallward é um pintor que vê em Dorian Gray o modelo que nunca tinha encontrado em nenhuma outra pessoa. O seu envolvimento em busca da perfeição é tão grande que após várias sessões a obra resultante (O retrato de Dorian Gray) é considerada, pelo amigo Lord Henry, a sua obra-prima.
Nunca estas personagens pensaram na influência que esta obra poderia ter nas suas vidas. Dorian Gray cedo percebe a perfeição da sua imagem naquela tela e inveja-a por isso. Sente que a tela nunca envelhecerá ao contrário dele próprio. Não verdade não é isso que acontece, será o retrato a envelhecer e ele a ficar com a mesma aparência. A maneira como Dorian Gray lida com isso é o que Oscar Wilde nos mostra neste romance.
A ideia é original e bem pensada, mas de facto o livro não me atraiu.
Págs. 276 Ref. ISBN: 978-708-391-9
Editora: Relógio D'Água
