sábado, 4 de julho de 2009

A Sombra do Vento - Carlos Ruiz Zafón

Na capa desta obra pode ler-se: "Uma história inesquecível sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros". De facto é uma frase que descreve muito bem o que se passa neste livro.

Daniel Sempere é a personagem principal desta bela história. A leitura de um livro de Julian Carax, pelo qual Daniel se apaixonou, leva-o a querer saber mais sobre o autor. É aqui que Daniel começa a descobrir que a sua vida tem muita coisa em comum com a de Julian. Parece que a sua história não passa de um "deja vu" daquilo que Julian viveu.
Fermín Romero de Torres é uma caricata personagem que em boa hora aparece na vida de Daniel e, que apesar de ser mais velho, depressa se torna no seu melhor amigo.
Enfim, tudo isto para dizer que me apaixonei desde o início por este livro e que não consegui parar de o ler. É uma história emocionante e viciante do princípio ao fim. Posso dizer que passou a ser um dos meus livros favoritos, e como tal sem dúvida recomendo a sua leitura.
Mais uma boa surpresa.

Págs. 507





Ref. ISBN: 978-972-20-3230-8
Editora: Publicações Dom Quixote

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Anjos e Demónios - Dan Brown


Parece que se estar a tornar num hábito, eu escolher um livro porque quero ver o filme. Anjos e Demónios foi mais um desses casos.
Dan Brown, já me tinha dito quem bem me conhece, seria um autor do qual eu iria gostar. Foi o primeiro livro que li e de facto gostei e muito.
Robert Langdom é um professor americano de simbologia que é chamado com urgência ao CERN (na Suíça) para identificar um estranho símbolo gravado a fogo no peito de um conceituado cientista que acabara de ser brutalmente assassinado. A inscrição "Iluminatti" é de imediato reconhecida por Langdom que durante algum tempo andou a estudar uma irmandade com esse nome, supostamente extinta há muito tempo, inimiga da Igreja Católica.
A religião e a ciência parecem que andam de costas voltadas, porém talvez haja um ponto em comum. Será Deus? Será possível acreditar no Deus católico tendo por base sustentação científica?
Pode parecer à partida que este livro é sobre o mesmo tema de "A Fórmula de Deus", mas na verdade embora possuam pontos comuns, são bastante distintos.
O enredo é muito bom, mas o melhor está guardado para o fim. O autor não pára de nos surpreender com revelações atrás de revelações até à última página.
Gostei imenso deste livro. Obrigado a quem me deu bons conselhos!!!
Pág. 586
Ref. ISBN: 972-25-1409-1
Editora: Bertrand Editora

quinta-feira, 28 de maio de 2009

À Descoberta de África - Martin Dugard

"Doutor Livingstone, presumo?"
Esta é uma das frases mais célebres da história e foi proferida por Henry Morton Stanley, no momento em que finalmente encontrou o Dr. David Livingstone, que se encontrava desamparado no centro de África.
Livingstone, um dos maiores, senão o maior explorador do continente africano do séc. XIX, decidiu fazer mais uma viagem a África, com o intuito desta feita, de descobrir a localização exacta da nascente do Nilo. Porém nem tudo correu como planeado.
A sua nação, Inglaterra, viveu anos de ansiedade imaginando o que lhe teria sucedido. Muitas hipóteses foram levantadas, inclusive julgaram-no morto. Porém a sua força e determinação fizeram com que ultrapassasse todas as dificuldades possíveis e imagináveis do território central africano.
Stanley, foi o jornalista escolhido, pelo dono do jornal Herald de Nova Iorque para em missão secreta partir para África e descobrir o real paradeiro de Livingstone.
É o trajecto que estes dois exploradores fizeram que Matin Dugard se propõe a contar aos leitores desta obra. Um livro muito, na minha opinião, ao género do 1808 (de Laurentino Gomes) extremamente interessante, bem organizado e escrito.

Não é de todo um romance. No entanto consegue prender o leitor, tal é a forma agradável como "se deixa ler."
Págs. 412
Ref. ISBN: 978-972-46-1713-8
Editora: Casa das Letras

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Aos Olhos de Deus - José Manuel Saraiva

Aos Olhos de Deus é um romance histórico, que nos leva ao reinado de D. Manuel (inicio do Séc. XVI). A embaixada mandada pelo ao Vaticano é aproveitada para ilustrar um belo romance entre a judia Raquel Aboab e o fidalgo da corte D. Diogo Pacheco.

Numa época em que Portugal se encontra no auge perante os olhos do mundo, dadas as descobertas a além-mar, um rei dado à ostentação, envia a Roma uma comitiva em seu nome para assim dar a conhecer ao representante máximo da Igreja, Sua Santidade o Papa Leão X, o poderio aparente de uma nação que aliada aos descobrimentos teria a missão de cristianizar o mundo desconhecido.


A comitiva é então enviada carregando uma enorme quantidade de presentes, com um valor imensurável, que tanta falta fazia à nossa nação. Destes faziam parte alguns animais selvagens (mais um elefante!!!), muito ouro, pedras preciosas, etc. A comitiva chefiada por Tristão da Cunha era constituída por alguns fidalgos, médicos, padres e outros perfazendo um número próximo das 300 pessoas.

A festa organizada em Roma, foi um evento nunca visto. A dimensão foi tal que nem mesmo a tomada de posse do Papa teria sido tão vistosa. Foi este o enquadramento que José Manuel Saraiva utilizou bastante bem para satirizar a corte portuguesa e ainda desvendar alguns dos seus segredos em paralelo com a análise feita ao Vaticano. Segundo o autor as coincidências não eram assim tão poucas!

Em paralelo a esta história de fundo está então uma bela história de amor, como disse,entre a judia Raquel Aboab e o fidalgo da corte D. Diogo Pacheco.

As causas da perseguição aos judeus é também explorada e quanto a mim muito bem integrada no seio da história.

No final temos um livro interessante, de leitura bastante fácil. Recomendo.

Págs. 249
Ref. ISBN: 978-989-555-364-8
Editora: Oficina do Livro

terça-feira, 14 de abril de 2009

A Viagem do Elefante - José Saramago

Pensei que esta viagem nunca mais acabava!!!

A Viagem do Elefante foi para mim uma desagradável surpresa. Não sei se elevei demasiado a fasquia quando li o "Ensaio Sobre a Cegueira", o qual considero um dos melhores, senão o melhor livro que já li. Porém quero acreditar que não. Prefiro acreditar que Saramago não é este escritor do Elefante mas sim esse do Ensaio.

Diria que a história é fraca! Mas não será demasiada pretensão minha avaliar assim a obra de um Nobel? Bom, na verdade este é o meu blog e foi para exprimir a minha opinião sobre o que leio que o criei. Assim sendo aqui vai ela e como sempre, vale o que vale por ser sincera.

Tudo começa quando o rei D. João III se lembra que a prenda de casamento que deu algum tempo antes ao seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, não terá sido tão boa como deveria. Para colmatar essa falha nada melhor do que oferecer um elefante indiano que está em Lisboa há já algum tempo e cuja única coisa que faz é comer, e muito!

É a então a viagem deste animal entre Lisboa e Áustria que é relatada neste livro. Penso que o relato feito se divide em dois estilos completamente diferentes, que podem eventualmente ser diferentes estados de espírito do autor, já que como é sabido esta obra foi escrita em condições de saúde bastante debilitadas.

Diria então que a primeira parte do livro será a viagem até Valhadolid e a segunda parte, a ligação até Viena. Na primeira parte é dado ênfase à descrição da viagem como todos os seus pormenores, sendo que na segunda parte se verifica uma maior tendência para a sátira e para a ironia.

O ateu confessado que é José Saramago deixa-se perceber perfeitamente na segunda parte do livro, com um olhar bastante interessante sobre a condição humana. Apesar de não concordar na integra com este olhar, foi ainda assim a parte do livro que mais gostei.

Do elefante propriamente dito a melhor palavra que encontro vem do inglês: "boring"!!!

Págs. 258
Ref. ISBN: 978-972-21-2017-3
Editora: Editorial Caminho

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Façam o Favor de Ser Felizes - João Carlos Silva

É com todo o carinho, conforme diria João Carlos Silva que o livro: "Façam o Favor de Ser Felizes!" aparece no meu blogue.
Talvez não tivesse comprado se não tivesse simpatizado com o programa da RTP em que este autor era protagonista. Mas o impulso principal deve-se ao facto de brevemente ir de férias para São Tomé. Alguns dos dias inclusive para a roça do próprio João Carlos Silva.
Este livro é sem dúvida um excelente aperitivo, ou não fosse ele em parte um livro de belas receitas tradicionais São Tomenses.
Claro que a vontade de ir já era enorme antes de ler o livro, mas agora com certeza é ainda maior.
Recomendo vivamente para quem gosta do género. É cheio de amor e no final pouco mais de uma hora é suficiente para o ler.
Já agora: "Façam o Favor de Ser Felizes!"

Págs. 163
Ref. ISBN: 989-555-253-5
Editora: Oficina do Livro

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A Filha do Capitão - José Rodrigues dos Santos

A Filha do Capitão é um romance que curiosamente me soube bastante bem ler a seguir ao "Homem da Carbonária". Isto porque a história é contemporânea e está apresentada num contexto diferente mas com muitas coisas em comum.

Afonso Brandão nasceu em Rio Maior, numa família humilde. Agnès Chevallier nasceu em Lille, numa família abastada.

Afonso viu a sua dominada pela vontade de uma senhora que lhe queria fazer "bem". Agnès correu atrás de um sonho; ser médica.

Mas a primeira grande guerra começou, Agnès ficou retida em França e perdeu contacto com a família. Afonso, ou melhor, Capitão Afonso Brandão foi destacado com as tropas portuguesas, ao comando de uma Brigada do Minho, nas trincheiras da Flandres.

Foi aí que por mero acaso do destino se conheceram, se apaixonaram e viveram um amor difícil. Arduamente testado dadas as contingências da época e do local onde se encontravam, nem por isso se afastaram e viveram um romance impossível.

Para saber quem é a "Filha do Capitão" é mesmo preciso ler o livro, e até ao fim!

José Rodrigues dos Santos faz uma descrição muito exaustiva, mas no meu ponto de vista interessante da guerra em particular da participação portuguesa. Somos levados a concluir que afinal Portugal não anda à deriva apenas agora, mas que também andava no inicio do século.

Fica a pergunta: Será que sempre andou???

Recomendo vivamente a leitura desta obra para quem gostar de romances, mas que não se canse de ler os pormenores da guerra e das linhas da frente. Eu gostei!

Págs. 629
Ref. ISBN: 978-972-662-994-8
Editora: Gradiva

terça-feira, 17 de março de 2009

A Metamorfose - Franz Kafka

Mais uma excelente obra deste magnifico autor. Sinceramente acho mesmo fantástico. Os livros que tenho lido são histórias das quais eu já mais me lembraria de imaginar, quanto mais de as escrever.

Interessante também é notar que apesar de serem fora do normal, conseguem transportar-nos para cenas bem reais como se tudo isto fosse uma metáfora.

Na metamorfose Gregor Samsa acorda um dia para ir trabalhar e verifica que se transformou num insecto, algo do género de uma aranha! Naturalmente toda esta transformação impressiona imenso a sua família. De inicio a todos parece que a transformação terá sido apenas física, porém todos se acabem por convencer de que a transformação foi completa. Na verdade Gregor nunca deixa de pensar como um humano e com isso Kafka aproxima o leitor a esta interessante personagem.

Um outro dado curioso desta história é facto de Gragor ter começado a trabalhar para com isso resolver as dividas que o pai tinha criado e que causavam imensas dificuldades à família. Com este trabalho passou a ser o único sustento da família. Porém quando a sua doença se começou a prolongar percebeu que afinal o dinheiro que tinha dado até deu para fazer poupança (apesar de dividas não terem sido totalmente liquidadas. Algum tempo depois já toda a gente trabalhava, passando ele a ser desprezado inclusive pela irmã, que no inicio era a única que lhe dava alguma atenção. O final é curioso, mas naturalmente não vou contar!

Uma pequena referência ao prefácio de Vladimir Nabakov que existe na edição que li. É sem dúvida muito útil para perceber a obra, porém acaba por ser demasiado exaustivo e deixa muito pouco para quem vai ler a obra logo a seguir. Penso que este texto deveria aparecer no fim do livro.

Por último, gostaria de mostrar uma imagem de pintora portuguesa que admiro bastante: Paula Rego. Esta imagem mostra no seu ver a metamorfose e encontra-se presente numa versão ilustrada pela própria editada pela Quasi Edições.



Págs. 140
Ref. ISBN: 972-708-851-1
Editora: Relógio D'Água

quinta-feira, 12 de março de 2009

O Homem da Carbonária - Carlos Ademar

Uma surpresa agradável este Homem da Carbonária! Um romance policial com uma interessante vertente histórica.

Comprei-o precisamente porque gostaria de aprender um pouco mais sobre o que foi a Carbonária. Penso que o objectivo foi cumprido e de uma forma muito agradável.

Um homem é encontrado morto no jardim da Estrela. Terá sido assaltado e assassinado acidentalmente, ou será que foi um crime premeditado?

Para resolver esta trama, o chefe Pratas é obrigado a desenvolver uma investigação, que serve para explicar ao leitor o estado do nosso país nos anos que se seguiram ao regicídio.

Apesar de não me considerar um fã de policiais, recomendo a leitura deste livro a quem quiser, tal como eu aprender alguma coisa sobre este tema.

Por fim, um único reparo: o epilogo dá um desenlace à história completamente imprevisível. Na minha opinião: não havia necessidade!!!!

Págs. 378
Ref. ISBN: 978-989-555-204-7
Editora: Oficina do Livro

sábado, 7 de março de 2009

Os Maias - Eça de Queirós

Que prazer foi reler Os Maias após tantos anos e sem ser obrigado!

De facto já lá vão alguns em que na disciplina de português fui obrigado a passar os olhos por esta obra. E quando digo passar os olhos, refiro-me literalmente ao que se passou, pois nessa altura jamais o li ou sequer demonstrei vontade de o ler.

Assim, não admira que apenas nomes como Ramalhete, Carlos Eduardo ou Alencar me fossem familiares. Da história propriamente dita, bom dessa então é que não me lembrava de nada. Nada mesmo!!!

É talvez um pouco redundante estar aqui a dizer que se trata de uma obra-prima da literatura portuguesa, mas a verdade é que o é mesmo. É talvez um pouco "maçudo" dirão alguns. Mas é Eça, o meu Eça, o nosso Eça no melhor dos melhores.

Toda a descrição da sociedade portuguesa, em particular a lisboeta, da altura é feita de uma forma magnífica. Quando por vezes se fala da mudança dos tempos, dos podres da sociedade actual, é curioso ver que estes podres afinal não são apenas de agora. Eça de Queirós continua muito actual.

Págs. 713
Ref. ISBN: 972-42-0635-1
Editora: Círculo de Leitores