sábado, 26 de abril de 2008

1808 - Laurentino Gomes


Este foi o primeiro livro de história, sem história, que li. Não sei se me fiz entender!!

Digo de história porque relata acontecimentos históricos, sem história porque não se trata de um romance em que tudo acaba mal ou bem.

1808 é um livro bastante interessante que dá a conhecer os acontecimentos em torno da ida da corte portuguesa para o Brasil.

Aparentemente o medo das tropas de Napoleão terá sido o impulso para que tal acontecesse, mas a ideia não era nova... Será que nós portugueses ganhámos alguma coisa com isso?

D. Maria uma rainha louca, louca e bem louca, quem mais no seu perfeito juízo teria dispensado os serviços do Marquês de Pombal? O príncipe regente era um gordo medroso... Enfim, penso que vale a pena ler este livro e tentar perceber o que o povo português terá herdado destas cortes que nos antecederam...

Não quero com isto dar a parecer que não tenho orgulho em ser português, ou que tenho algo a favor ou contra a nossa monarquia, mas neste capitulo da história acho que não fomos muito felizes. Acho mesmo que foi algures por aqui que a nossa auto-estima terá começado a descer...

domingo, 30 de março de 2008

O CODEX 632 - José Rodrigues dos Santos

MOLOC NINUNDIA OMASTOOS

Foi esta a primeira cifra que Tomás de Noronha, professor e especialista em criptanálise, teve de decifrar quando lhe foi pedido para continuar uma investigação. Jamais poderia imaginar que iria ficar a saber um dos segredos mais bem guardados dos descobrimentos.

Gostei muito de ler esta obra. Quando terminei, acabei por não conseguir perceber se o que li poderá ser ou não verdade. O autor afirma que todos os documentos mencionados neste romance existem! Posso garantir que são muitos e que a quantidade de informação deles retirada é imensa. Terá sido José Rodrigues dos Santos a fazer esta pesquisa? Não sei! Será isso importante? Bom, confesso que gostava de saber...

A verdade é que este livro é muito bom. Estou ansioso por o ver brilhar em Hollywood. Sim, porque tenho a certeza de que vai ser um sucesso.

Parabéns José Rodrigues dos Santos!!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

A Fúria das Vinhas - Francisco Moita Flores

Paixão pela terra, amor pelas vinhas e um assassino à solta…

A Fúria das Vinhas é isto e muito mais. É a história de vida de Antónia A. Ferreira, a Ferreirinha, uma mulher grande em afecto, em solidariedade, em inteligência e em empreendedorismo.

Vespúcio Ortigão é uma figura que foge aos padrões de uma pessoa normal para as pessoas da sua época. Filho de um amor proibido entre sua mãe e o pároco de uma aldeia vizinha, tornou-se bacharel em Direito graças à ajuda de Ferreirinha.

Estão unidos por uma admiração mútua e obcecados com dois problemas. Ferreirinha não descansa enquanto não derrotar a praga da filoxera que ameaça devastar todas a vinhas do Douro, pondo em causa milhares de pessoas e o futuro do vinho do Porto. Vespúcio teima em não acreditar que algumas mortes de raparigas novas de lugares vizinhos, não se devem à voracidade dos lobos nem tão pouco são casos isolados.

O desfecho desta história? Não vou contar! Detesto saber o que vai acontecer nas histórias, por isso jamais aqui escreverei o fim de um livro… Mas sim, é mais um que vale a pena ler.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

O Economista Disfarçado - Tim Harford

Tim Harford é um economista, ao que parece notável, que pretende com este livro alertar os menos atentos sobre como funciona essa coisa da Economia.

Cada capítulo aborda um tema, sempre com muitos exemplos práticos e simples de modo a simplificar as regras ou leis que estão por detrás dos mercados económicos.

Os temas são interessantes, os conteúdos também, mas confesso que não foi tarefa nada fácil terminar este livro. Por vezes a motivação para lhe pegar foi quase nula, mas no fim, como quase sempre valeu a pena.

Será que já consigo ganhar dinheiro na bolsa?

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O Crime do Padre Amaro - Eça de Queirós

Voltei ao Eça... E se já tinha gostado d'A Relíquia, fiquei completamente rendido com O Crime do Padre Amaro.

A cultura de Eça é mesmo algo impressionante. Se era uma individualidade no seu tempo, não tenho dúvidas que o seria da mesma forma nos dias de hoje.

Naquele que foi o seu primeiro romance, Eça consegue uma história, admiravelmente narrada, de um amor proibido - o amor de um sacerdote por uma mulher. Na cidade de Leiria, o recém-chegado pároco Amaro Vieira, rapidamente se perde de amores por Amélia.
O tema do celibato eclesiástico é abordado sem reservas. Os podres do clero e o provincianismo da pequena burguesia também não passam em branco aos olhos de Eça.

Estou um verdadeiro fã, pelo que não será de admirar ver mais livros deste senhor por aqui nos próximos tempos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Rio das Flores - Miguel Sousa Tavares

Ainda com o Equador bem fresco, o lançamento do Rio das Flores facilmente se tornou para mim literatura obrigatória. Mais fácil ainda quando abri um embrulho de Natal e verifiquei que alguém muito especial mo tinha oferecido.

Devorei-o em poucos dias. Os dotes do Miguel permanecem num nível bastante elevado, embora na minha opinião um pouco aquém do Equador.

O romance trata a vida duma família abastada tipicamente alentejana. Os caminhos distintos de dois irmãos com ideais diferentes e amores comuns, influenciados pelos anos marcadamente tumultuosos da primeira metade do século XX.
O marasmo que o nosso país viveu após a queda da monarquia, as guerras civis, as ditaduras, a emigração e o confronto de ideias são temas chave do romance.
Uma visão interessante de um Brasil que parece já não existir. Enfim...

Miguel, para quando o próximo livro?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A Confraria do Vinho - John Fante

Comprei este livro influenciado pela excelente critica que ouvi sobre ele num programa de televisão da 2.

John Fante é um escritor americano com uma história de vida duríssima: passou fome, vagabundeou sem descanso, teve vários problemas com álcool e proclamou ser um génio incompreendido..

A Confraria do Vinho é um romance autobiográfico que retrata a sua relação com o pai, mãe e irmãos... O problema da alcoolemia é tema de fundo, num sitio onde os prazeres da carne estão bem enraizados e de difícil mudança.

Gostei do enredo do livro e da perspectiva do autor. Não posso deixar passar em branco a muito fraca, sendo simpático, revisão deste livro. Graves erros de pontuação, trechos de texto repetidos... Enfim muito mau, ao ponto de qualquer leitor comum o conseguir detectar.

Págs. 220
Ref. ISBN: 9789726957232

Editora: Editorial Teorema

domingo, 30 de dezembro de 2007

A Relíquia - Eça de Queirós

Decidi que deveria intercalar a leitura duma obra contemporânea com um clássico. Quem melhor para começar do que o grande Eça de Queirós?

Quando andava no liceu fui obrigado a ler os Maias, mas sim, foi mesmo por obrigação! Não me lembro de um único personagem da história... Mas enfim, se calhar para algumas pessoas, aprender a gostar de ler é como aprender a gostar de sopa ou de vinho: só se aprende ao fim de algum tempo, ou no caso da sopa quando se sente a sua falta.

Após escolher o autor, havia que escolher a obra. O critério foi: "das que tenho em casa escolho a mais pequena". É um livro um pouco maçudo, mas a história é muito interessante e o enredo é muito engraçado.

A Relíquia narra a história de vida do jovem Teodorico Raposo (o Raposão) contada na primeira pessoa. Teodorico foi ensinado a amar a religião, porque amar a religião é amar a titi e é necessário amar a titi. Isso não o inibe de satirizar a religião, as crenças e costumes da época.
A viagem que faz à Terra Santa é repleta de histórias engraçadas: o amor por Maricoquinhas, o incansável sábio Dr. Topsius.

Se dúvidas houvessem acerca da intelectualidade de Eça, bastava ler esta obra e ver a abrangência dos temas abordados, numa altura em que o preço da informação não estava à distância de um simples "click".

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

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Equador - Miguel Sousa Tavares

Não foi por amor a Miguel Sousa Tavares que comecei a ler este romance. Nada disso! Eu até nem vou muito à bola com o artista. Mas a verdade é que teve o dom de passados alguns anos me conseguir trazer de novo o gosto pela leitura.
Isso aconteceu quando num final de tarde, ao chegar a casa após mais um dia de trabalho, noto que Miguel Sousa Tavares está a dar uma entrevista na rádio. Chamou-me a atenção a sua típica arrogância, de quem se acha o Mourinho das Letras. Referia que se o Equador se tinha tornado um sucesso de vendas, tal facto apenas se devia à excepcional qualidade do livro.
Pensei para mim… Será que é mesmo bom? Ou o tipo é só garganta?
Estava dado o “click” para me tornar um leitor assíduo…
O Equador conta a história de um bon vivant, Luis Bernardo, que decide atender ao pedido de El Rei D. Carlos: ir para S. Tomé convencer os ingleses de que já não existem vestígios de mão-de-obra escrava nas colónias. Não sabia o que o esperava. Não sabia que ia encontrar o amor. Não sabia que o rumo da sua vida iria para sempre mudar.
Um romance cheio de amor à pátria, amor às colónias e amor ao cacau.
É uma obra cuidada a que me agarrei e só parei quando cheguei ao fim.
Obrigado Miguel por teres sido a ponte para a literatura deixando na outra margem internet, jogos e tantas outras coisas...